Locomotiva 206 Imprimir E-mail

Fabricada na Filadélfia, nos Estados Unidos, no ano de 1910 pelo inventor inglês Jorge Stepheson, a Locomotiva 206  mede 6m de comprimento, 3,15m de altura, e 2,86m de largura. Na primeira década do século XX ela foi trazida para o Brasil (sendo ela a segunda locomotiva a transitar em Conservatória. A primeira foi a de número 1 vinda da Alemanha por D. Pedro II) por navio que navegou pelo Atlântico por cerca de 30 dias. Chegou ao Rio de Janeiro onde o Coronel Leite de Souza; o Engenheiro Pedro Carlos da Silva e muitos outros Diretores da Estrada de Ferro Santa Isabel, que a haviam comprado dos Estados Unidos monitoravam o desembarque.

Dos anos 1920 até 1935, a Locomotiva 206 foi muito solicitada para as viagens da Estação de Barra do Piraí, no Estado do Rio, até a Estação de Soledade no Estado de Minas. O maquinista era Manoel Vicente Sobrinho e o foguista era José Miguel Araújo. Na estação de Conservatória trabalhavam, entre outros: o Sr. Gilberto - Agente da Estação; o Sr. Hélio de Castro - Sub-Agente e mais tarde também Agente; o Sr. Ernani, guarda-chaves e mais tarde o seu filho Pedro Rocha. Quem cuidava da manutenção da Estação de Ferro era o Sr. Mário Conrado, chefe da "turma da soca" como era conhecida a turma que cuidava da manutenção da linha.

A viagem já era uma alegria só, com a Banda tocando, o povo cantando. Na chegada em Conservatória era costume o maquinista acionar o apito antes do túnel e na chegada ele tocava o sino. Na estação o povo aguardava com muita ansiedade, com muitos foguetes, soltados pelo Norberto. A Banda de Música chegava tocando aqueles lindos dobrados, atéa Locomotiva 206 parar na estação.

Cortando as montanhas do Estado do Rio e de Minas Gerais; era uma viagem simplesmente maravilhosa; com lindos túneis, pontes, cortes de pedra, muitos "mata-burros" e... uma paisagem deslumbrante, sendo a mais linda de todas a da Serra da Beleza, entre Conservatória e Santa Isabel do Rio Preto. Saía da linda Estação de Barra do Piraí e após trafegar um bom trecho no meio da rua principal daquela cidade, atravessava a Ponte Metálica, construída sobre o Rio Paraíba do Sul e logo depois começava a subir a primeira serra do itinerário, passando por Prosperidade; Ipiabas; Desvio Gomes; Paulo de Almeida até chegar na querida cidade de Conservatória.

Em 1938 a Locomotiva 206 transportou até Conservatória, dois jovens estudantes do Colégio Pedro II do Rio de janeiro, que vinham passar férias. Esses dois jovens hoje são os símbolos da cultura musical de Conservatória, pois foram eles, JOUBERT CORTINES DE FREITAS e seu irmão JOSÉ BORGES DE FREITAS NETO, os precursores da nova fase das "SERENATAS AO LUAR", que tanto tem contribuído para o desenvolvimento do turismo em Conservatória.

Com o passar dos anos o movimento da Estrada de Ferro (então Rede Mineira de Viação - RMV) foi aumentando e, então, tiveram que substituir a Locomotiva 206 por uma outra locomotiva mais possante - da série 400. Muito tempo se passou e ela foi parar na Oficina da RMV de Barra Mansa, totalmente abandonada, esperando o maçarico para cortá-la em pedaços para ser vendida como "ferro velho". Mas surge na oficina do "Juca da Luz" uma conversa entre o Vicente Ricado, o João Marcos, o Wanderley, o Júlio Cesar e o Juarez, que discutiam a possibilidade de trazerem a Locomotiva 206 de volta para Conservatória.

Quem ajudou a vinda da Locomotiva 206 para Conservatória foi o grande amigo e companheiro de muitas viagens, o João Mateus de Sousa, filho do Avelino Mateus, gente nascida em Conservatória. O João, antigo e dedicado ferroviário, se dedicou a reformá-la ainda em Barra Mansa, pintando, reformando, e preparando-a para a sua grande e última viagem no mês de novembro de 1981. Foi uma recepção festiva. O povo todo na rua aplaudindo. O Geraldo sapateiro fazia a vez do maquinista, tocava o sino e apitava na chegada pelas ruas de Cosnervatória. Na ocasião José Borges, o grande seresteiro, fez uma canção maravilhosa falando tudo sobre a saudade que o trem de ferro deixara no povo de Conservatória.

Re-Edição da Pesquisa e Redação de: Victor Couto e Helvécio Marques
(Novembro de 2001)

 
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